Quando no Verão de 2011 decidi arrancar com o projecto estrada velha, fi-lo por minha conta e risco sem contar na altura com quais queres apoios ou tão pouco promessas de patrocínios.
Decidi fazê-lo porque gosto de fotografia, porque gosto do Alentejo e porque o projecto constituía para mim um desafio. Nas primeiras três semanas percorri algumas das zonas do chamado Alentejo profundo fotografando, conversando e pesquisando. A quarta semana foi toda ela passada a editar, quer as várias centenas de fotos, quer as muitas páginas de informação que fui coligindo ao longo do percurso.
Durante o mês de Agosto publiquei em blog http://estradavelha.wordpress.com o resultado das três semanas de trabalho de campo e confirmei então o que já suspeitava… o projecto estava apenas a meio.
O problema aqui era o facto de o mês de Agosto estar no fim e com ele o tempo livre que eu dispunha para fotografar gente, terra, cultura, fauna e flora por esse Alentejo fora. Decidi então que durante o ano de 2012 (se tudo corresse bem) o projecto teria continuação.
Quando publiquei as fotos no blogue não tinha noção do feedback que as mesmas poderiam gerar, por isso surpreendi-me deveras com a avalanche de comentários e contactos que na altura recebi e que ainda hoje continuo a receber.
Não querendo parecer ingrato, estou de facto muito grato a todos os leitores do blogue que me contactaram, alguns deles agradecidos por revisitarem nas fotos lugares que já não viam há vários anos, também aos organismos oficiais que na altura me convidaram a fazer exposições fotográficas sobre a temática, assim como ao editor que me contactou no sentido de passarmos o projecto a livro, como dizia estou de facto grato por todas estas pessoas terem gostado do trabalho, mas infelizmente e por considerar o projecto inacabado, fui obrigado a declinar todos os convites.
Estando afastado do Alentejo desde há alguns anos a esta parte, devo confessar que a vivência desses dias a percorrer a planície foi na realidade uma experiência extraordinária. O Povo Alentejano continua a ser aquele povo genuíno e hospitaleiro que sempre foi, o que a mim particularmente me enche de orgulho porque a ele pertenço.
Durante este ano de 2012 (se tudo correr bem) darei continuidade ao projecto que de novo me vai levar a mais alguns lugares do Alentejo profundo para continuar a fotografar gente, terra, cultura, fauna e flora.
Lisboa – Janeiro de 2012
António Góis
O rio Guadiana é um rio internacional da Península Ibérica que nasce a uma altitude de cerca de 1700m, nas lagoas de Ruidera, na província espanhola de Ciudad Real, renasce nos Ojos del Guadiana e desagua no Oceano Atlântico (mais precisamente no Golfo de Cádis), entre a cidade portuguesa de Vila Real de Santo António e a espanhola de Ayamonte. Com um curso total de 829 km, é o quarto mais longo da Península Ibérica. A bacia hidrográfica tem uma área de 66 800 km², situada, em grande parte, em Espanha (cerca de 55 000 km²).
Percorre a Meseta Sul na direcção leste-oeste e, perto da cidade espanhola de Badajoz, toma o rumo sul até à foz. O Guadiana faz fronteira entre Portugal e Espanha, desde o rio Chança até à foz. No troço entre o rio Caia e a ribeira de Cuncos a fronteira não está demarcada devido ao litígio fronteiriço de Olivença, entre a ribeira de Olivença e a ribeira de Táliga.
O Guadiana é navegável até Mértola numa distância de 68 km. No seu curso português foi construída a Barragem de Alqueva, na região do Alentejo, que criou o maior lago artificial da Europa.
Os seus principais afluentes são, pela margem direita: Záncara, Ciguela, Bullaque, Degebe e a Ribeira do Vascão. Pela margem esquerda são afluentes principais o Guadiana Alto, Azuer, Jabalón, Zújar, Matachel, Ardila e o Chança.
Os romanos chamavam-lhe Anas (=”dos patos“), ao que os Mouros juntaram uádi (a palavra árabe para “rio”) sendo então oUádi Ana, passando ao português como Ouadiana e, mais tarde ainda para Odiana. Porém, desde o século XVI que, por influência castelhana, foi ganhando terreno a forma Guadiana (cognata de outros nomes árabes designando rios e que passaram ao castelhano com a forma inicial guad, como Guadalquivir, Guadalete, Guadalajara ou Guadarrama), sendo, hoje em dia, a forma consagrada.
Não há consenso na identificação de qual seja o ponto preciso onde nasce o Guadiana. A teoria mais clássica e talvez mais discutível, provém de Plínio, o Velho. A sua hipótese era que o rio nascia nas Lagunas de Ruidera e que se dividia em dois grandes troços, oGuadiana Alto ou Guadiana Velho e o Guadiana propriamente dito, separados entre si por um leito de rio subterrâneo.
A lenda de um rio que desaparece e reaparece sobreviveu até ao século XX. Ainda agora se toma como referência em determinados artigos e manuais, além da tradição popular.
No entanto, não existe nenhum leito subterrâneo, como também não parece defensável que sejam as Lagunas de Ruidera o ponto de origem do Guadiana. De um ponto de vista hidrogeológico, também é discutível identificar o Guadiana Alto como o troço superior do Guadiana[2]
Os históricos desencontros sobre o nascimento do Guadiana estão resolvidos por completo, pela consideração não de um ponto concreto de origem, mas de uma cabeceira composta pela confluência de vários rios, ribeiros e aquíferos. Entre eles, destacam-se os rios Ciguela, Záncara e Guadiana Alto ou Guadiana Velho, e o Aquífero 23 ou da Mancha Ocidental.
O Guadiana Alto seria assim uma das muitas correntezas que dão lugar ao Guadiana, a partir da sua cabeceira, e não o Guadiana propriamente dito.
Convento e Igreja de Santo António em Alvito
Este edifício foi mandado construir por Manuel Lopes, primeiro juíz da Confraria de Santo António, e por D. João Lobo, oitavo barão de Alvito. No interior é possível observar o forro de azulejos seiscentistas, sobressaindo as flores e os passáros. Destaque, também, para a pintura mural da abóbada de berço da capela-mor. Esta pintura retrata um episódio da vida do Padroeiro. Ainda é de salientar o conjunto pictórico maneirista de óleo sobre a madeira.
Conta a lenda que o nome da vila de Alvito terá tido origem num boi. Tratar-se-ia de um desses animais fugidios em dia de festa e que, segundo uns, era branco, muito branco, e por isso se chamava Alvito. Querem outros que Alvitre! Alvitre! tenha sido o clamor de regozijo da população quando finalmente se encontrou o animal tresmalhado, e daí teria provido o actual nome da povoação. Assim se explica a presença do Boi nas primitivas armas do concelho, de cuja composição faziam ainda parte duas árvores e uma aranha. As árvores aludiam à balsa ou gruta onde o touro foi achado, enquanto a aranha perpetuava aquela outra aranha que, à entrada da gruta, pelas suas dimensões, apavorou os moradores. Segundo a lenda é ainda ao boi que se deve a descoberta da fonte da vila. Em termos simbólicos, o boi refere-se à agressividade e orgulho da comunidade, a aranha representa o sentido de liberdade e autonomia, enquanto as árvores aludem à organicidade do concelho. Refira-se que para além da poética descrição da lenda, e segundo os entendidos, Alvito é nome de origem germânica e terá sido, sem dúvida, nome de um presumível proprietário de uma das vilas romanas situadas nas imediações da actual povoação. Sabemos que nos séculos IX, X, XI, XII, era nome próprio bastante corrente no actual território português. Assim se compreende que outras localidades em Portugal exibiam o mesmo topónimo. As armas agora, em boa hora, tomadas para emblema da freguesia recuperam a mais antiga simbologia do concelho, excluindo, contudo a representação das árvores.
A fundação da pequena aldeia de Peroguarda parece, conta o povo, dever-se a um mancebo de nome Pêro da Guarda que construiu algumas casas junto a uma grande oliveira. Essas casas ficaram conhecidas pelo nome de “Casas de Santa Margarida”. Conta-se ainda que este Pêro da Guarda foi, um dia ao cair da noite, atacado por um lobo quando passava junto a uma frondosa oliveira de tronco carcomido Este facto é recordado, explica o povo, pela Rua do Lobo que ainda hoje existe em Peroguarda e por onde se diz ter passado a fugir, o lobo que atacou e feriu mortalmente Pêro da Guarda. Antes de morrer Pêro da Guarda terá gravado numa lápide a seguinte mensagem: “Fiz Peroguarda e Alfundão, todos vivam como eu vivi e ninguém morra como eu morri.” Não se sabe ao certo o paradeiro de tal lápide.
Esta é pois uma das possíveis explicações sobre a fundação e origem da aldeia de Peroguarda. Contudo e se quisermos recorrer a respostas com maior rigor cientifico pudesse dizer, tendo como base os vestígios arqueológicos que ai se encontram, que as origens de Peroguarda são muito remotas e que esta zona já era habitada pelo menos no tempo dos romanos. Posteriormente, outros povos aqui viveram como provam os vestígios godos e árabes por ali existentes.
A este propósito, o de referir e clarificar as origens de Peroguarda, o professor Joaquim Roque na sua obra Alentejo cem por cento refere que, segundo um manuscrito existente na biblioteca de Évora do Bispo D.Frei Manuel do Cenáculo, se encontrou em Peroguarda uma imagem da deusa egípcia Ísis,”enfeitada como as múmias, dos pés ao pescoço”. Esta imagem pode e deve ter sido trazida para esta zona pelos colonos romanos que habitaram a Península Ibérica durante muitos séculos.
Peroguarda era, nos séculos II, III e IV uma importante zona uma vez que seria aqui que os emissários imperiais descansavam antes de seguir viagem para Pax Júlia (Beja).
As histórias de lobisomens e bruxas eram vulgares no meio rural tradicional. Há, contudo, outro tipo de histórias que são comuns a várias aldeias e vilas Alentejanas.
Beringel não foge à regra e muita gente está a par da história da luz misteriosa que de noite nestas paragens acompanhava pastores, almocreves e mais recentemente tractoristas que durante a noite procediam às charruadas. Devo confessar que em 35 anos de Alentejo nunca cheguei a ver a luz, mas sempre ouvi falar dela e conheço pessoas que afirmam a pés juntos ter visto e mais que uma vez.
Era uma luz que acompanhava o caminhante sem contudo o incomodar. Seguia a seu lado, parava quando este parava acompanhando sempre a velocidade da deslocação. Nenhuma das pessoas que conheci e que afirmavam ter estado em contacto com o fenómeno, esboçou qualquer reacção. Para essa passividade, contribuiu certamente o facto de ser conhecida a reacção da luz quando era atacada ou provocada.
A história que se segue, assegura quem a conta, é verídica. É contada na primeira pessoa, desconheço quem seja o orador ou a data em que o acontecimento possa ter tido lugar. Fica aqui tal qual como dela tomei conhecimento.
«Algures na região de Beringel (Beja), havia um sujeito que não acreditava em coisas estranhas, daquelas que se contam nas aldeias. Naquele tempo, corria o boato de que havia no campo uma espécie de luz vermelha que andava de um lado para o outro, mas que não se deixava ver de perto. Os mais velhos afirmavam que já a tinham visto, e esse homem que não acreditava disse, na brincadeira:
- “Se eu a encontrar, desfaço-a toda aos bocados com o meu cajado”
O que vos conto a seguir é a narração do próprio.
“Numa noite, eu ia guinado a minha charrete e lá estava à minha frente a luz vermelha parada em cima do muro. Saí, peguei no cajado e disse com ar forte e corajoso:
- Já que aí estás, então espera, que já vais ver o que é para a saúde!
E assim dirigi-me até junto dela e tentei dar-lhe com o cajado, mas não consegui porque ela se desviou. Continuei à cajadada com ela, mas falhava sempre e ia ficando mais furioso. Voltei para a charrete quando ela se voltou contra mim. Não sei o que aconteceu (parecia que estava levando uma grande tareia) e desmaiei. Os cavalos voltaram para casa e eu fui na charrete como morto. Na manhã seguinte, a minha mulher, já preocupada, foi ver se eu estava dormindo na charrete. Ela diz que eu estava com a roupa toda rasgada, todo cheio de sangue, que parecia morto. Mas estava apenas desmaiado. Depois a minha mulher tratou de mim e nunca mais quis ouvir falar dessa luz».
Construída numa colina com 277m de altitude, a cidade de Beja domina a vasta planície envolvente. Beja é capital de Distrito e sede de um dos maiores municípios de Portugal, com 1 147,14 km² de área e 34,387 habitantes (2009). A cidade de Pax Julia terá sido fundada ou por Júlio César ou por Augusto. Foi capital do conventus Pacensis e administrou juridicamente uma das regiões que constituíam a província da Lusitânia (as outras duas capitais eram Santarém e Mérida). Foi também uma Civitas, ou seja, cidade responsável pela administração de uma região, e Colonia. Sem dúvida uma cidade elementar no funcionamento da grande máquina administrativa que foi a regionalização romana.
Parque de diversão aquático, Neves (desactivado)
Igreja de Nossa Senhora das Neves. A edificação da sua igreja paroquial, é anterior a 1534.Situada no lugar mais elevado da povoação, a igreja paroquial de Nossa Senhora das Neves conserva grande parte da sua estrutura Manuelina. O Cruzeiro de Nossa Senhora das Neves situa-se agora defronte da Igreja, numa pequena rotunda relvada, depois de em 2003 a Junta de Freguesia local ter decidido mudá-lo no sentido de lhe dar maior destaque e embelezar o largo. O seu local original situava-se a cerca de 200m da frontaria da igreja, na íngreme encosta ocidental, em terra de semeadura, de difícil acesso o que lhe dava um ar de abandono e à mercê da maquinaria agrícola, tendo sido colocado nesse local um marco em mármore indicativo.
Em Baleizão, freguesia do concelho de Beja, com 138,25 km² de área e 1 056 habitantes (2001). Densidade: 7,6 hab/km². Baleizão é uma das freguesias mais importantes do concelho de Beja. Aqui foi assassinada, em 1954, a jovem Catarina Eufémia, durante uma manifestação pelos direitos dos trabalhadores rurais alentejanos. A freguesia é delimitada pelos concelhos da Vidigueira e Serpa e pelas freguesias de Quintos, Salvada e Neves. Está situada a 13 Km da cidade de Beja e a 47 Km da fronteira espanhola(povoação de Vila Verde de Ficalho). O povoamento da freguesia remonta a épocas pré-históricas. Local com grande história como podemos ver pelos nomes das propriedades, montes e áreas específicas.
Memorial Catarina Eufémia
Catarina Efigénia Sabino Eufémia (Baleizão, 13 de Fevereiro de 1928 — Monte do Olival, Baleizão, 19 de Maio de 1954) foi uma ceifeira Portuguesa que, na sequência de uma greve de assalariadas rurais, foi assassinada a tiros, pelo tenente Carranjola da Guarda Nacional Republicana. Com vinte e seis anos de idade e analfabeta, Catarina tinha três filhos, um dos quais de oito meses, que estava no seu colo no momento em que foi baleada.
Um dos três grandes rios luso-espanhóis, o rio Guadiana drena uma área total de cerca de 72 100 km2, sendo 11 500 km2 em Portugal. Nasce em Espanha, na serra de Alcaraz, e serve de fronteira entre os dois países até ao ponto em que penetra em território português, a norte de Mourão, e toma a direção norte-sul. O vale por ele formado encaixa-se na superfície polimórfica alentejana a partir da foz do Ardila, com muitos meandros e, entre Serpa e Mértola, apresenta rápidos e quedas de água sendo a mais importante a do Pulo do Lobo, que corresponde a um estreitamento súbito e desnivelado das suas margens. A partir de Mértola, o Guadiana torna-se navegável.
Volta a servir de fronteira entre Pomarão e Vila Real de Santo António, onde desagua no oceano Atlântico. Ao todo passa por cerca de 810 quilómetros, desde a sua nascente até à foz, percorrendo 260 quilómetros em Portugal, dos quais 110 servem de fronteira com Espanha.
Sobre uma elevação a poucos quilómetros da margem esquerda do Guadiana, o grande rio do sul de Portugal, ergue-se a cidade de Serpa, topónimo que remonta ao domínio romano, há cerca de 2.000 anos. Habitantes 6.600 (dados de 2001)
Antiga ponte junto á estrada de Brinches
Paisagem entre Serpa e Brinches
Estação Serpa/Brinches (desactivada)
O ultimo comboio passou há anos
Apesar da decadência que invadiu a velha estação
Ainda vive por aqui alguém que parece não gostar de visitas
Aldeia de Brinches (concelho de Serpa)
Já te não chamam aldeia/ chamam-te nobre cidade/ onde o meu amor passeia. Onde o meu amor passeia/ pela manhã e à tarde/ já te não chamam aldeia/ó Brinches, nobre cidade
Cavalos na paisagem (Brinches)
Rebanho de ovelhas na paisagem(zona de Brinches)
Na apanha do melão (junto a Moura)
Freguesia do concelho de Serpa, com 163,68 km² de área e 3 036 habitantes (2001). Densidade: 18,5 hab/km². A origem do nome da vila de “PIAS” deve-se ao facto de antigamente ter havido nesta zona a produção de manufacturas em granito, que eram extraídas das saliências rochosas e que eram utilizadas para dar de comer e beber aos animais. Também era atribuído o nome de “PIAS” aos buracos que ficavam nas rochas após extraírem as mós, as pias e as soleiras que no Inverno se enchiam de água.
O ultimo comboio passou em Pias no ano de 2002
Zona de população maioritariamente idosa que se sustenta ainda na agricultura
Segundo testemunhos históricos e arqueológicos, as terras deste concelho conheceram o seu povoamento já na época dos Romanos.
Após a Reconquista, passou para a posse da Ordem de Sant’Iago, tendo esta desenvolvido e cultivado terras que, até então, se encontravam praticamente desertas.
Posteriormente, o domínio das terras passou para os duques de Aveiro e, depois da conspiração destes contra o rei, passou para a Coroa.
Foi-lhe outorgado foral por D. Manuel, a 5 de março de 1516, data a partir da qual Ferreira do Alentejo sofreu diversas alterações a nível administrativo.
Santuário de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da vila e do concelho de Ferreira do Alentejo. Na igreja-santuário venera-se a pequena imagem de roca que, segundo a tradição, Vasco da Gama levou consigo na viagem à Índia.
À saída de Ferreira do Alentejo (para quem toma a estrada de Beja) encontra-se a Ermita de São Vicente junto à quinta com o mesmo nome. Trata-se de um dos mais antigos edifícios religiosos do termo de Ferreira do Alentejo. Construção arquitectónica de meados do séc. XVI.
Aldeia de Odivelas, concelho de Ferreira do Alentejo, com 109,96 km² de área e 692 habitantes (2001). Densidade: 6,3 hab/km².
Os velhos montes em ruínas vão a pouco e pouco sendo substituídos por novas habitações
Ribeira de Alvito (desagua na barragem de Odivelas)
Estrada de Alvito para Alfundão
O Abelharuco (Merops apiaster) é uma das aves que podem ser observadas nesta zona
Outra vez no Concelho de Ferreira do Alentejo
Densidade populacional por aqui, 14.7 habitantes por km2
Aldeia de Peroguarda
Peroguarda já foi classificada a aldeia mais portuguesa do Baixo Alentejo. Nesta pequena freguesia está sepultado o grande etnomusicólogo, Michel Giacometti, que se enamorou pelo misterioso cante alentejano, tradição local de relevante valor cultural.
Peroguarda, Igreja de Santa Margarida.
O oráculo da Igreja Matriz de Peroguarda é Santa Margarida. Esta Santa é alvo de devoção ainda noutra freguesia do concelho de Ferreira do Alentejo, ou seja, em Santa Margarida do Sado.
Os habitantes da aldeia de Peroguarda têm grande devoção por esta Santa a quem eles deram o epíteto da santa milagreira.
Contam os habitantes de Peroguarda que Santa Margarida era filha de um rei turco, por isso de um rei infiel. Ora um belo dia o espírito divino desceu sobre ela e esta converteu-se ao Cristianismo. Nessa ocasião Santa Margarida estava a lavar, no rio Jordão, os cueiros do menino Jesus e Nossa Senhora concedeu-lhe o nome de Margarida. Esta conversão ao Cristianismo não foi, contudo, bem aceite pelo seu pai que mandou assassinar cruelmente a sua filha. A bondade de Santa Margarida e a sua fé em Jesus Cristo que lhe custou a própria vida, foram inspiração para os futuros fiéis de Cristo.
Em Peroguarda Santa Margarida é a Santa protectora da aldeia e o povo que esta protegeu os filhos de Peroguarda quando estes foram para as guerras coloniais.
Ainda hoje a santa é alvo dos maiores cuidados e dedicação pelos milagres e protecção prestada aos habitantes desta pequena aldeia.
Belíssimo exemplar de uma ponte rústica, de pequenas dimensões, inserida dentro do perímetro da Estação Arqueológica de Miróbriga.
Apesar dos anos, ainda continua a servir o propósito para que foi construída. Ser local de passagem.
No caminho para Beringel, Herdade da Zambujeira
A Vila de Beringel no concelho de Beja, com 16,00 km² de área e 1 525 habitantes (2001). Densidade: 95,3 hab/km². Foi vila e sede de concelho entre 1519 e 1839. Era constituído por uma freguesia e tinha, em 1801, 1 003 habitantes.
Barragem localizada à entrada de Beringel onde se podem observar inúmeras aves
Aldeia de Trigaches, população 600
Na Aldeia de São Brissos, concelho de Beja, com 51,03 km² de área e 101 habitantes (2001). Densidade: 2,0 hab/km², situada mesmo ás portas…
O Sado é um rio português, que nasce a 230m de altitude, na Serra da Vigia e percorre 180 quilómetros até desaguar no oceano Atlântico perto de Setúbal.
Rio Sado, zona de Garcia Menino
Segundo José Pedro Machado (Dicionário Onomástico e Etimológico da Língua Portuguesa) a origem do nome do rio Sado é obscura, talvez pré-romana. Afirma que até ao século XVIII o rio chamava-se Sádão, forma que permanece nalguns topónimos actuais como São Romão do Sádão (Alcacer do Sal), Santa Margarida do Sádão (Ferreira do Alentejo) e São Mamede do Sádão (Grândola).
Dizia João Baptista de Castro em 1762 sobre Garcia Menino «Garcia menino he hum celebre pego, cujas aguas enriquecem o rio Sadão, e onde se acha em todo o anno muito peixe, especialmente as nomeadas tainhas de boca vermelha».
Esgotado o filão, os areeiros mudam de lugar deixando muitas vezes uma paisagem completamente transformada.
Nas margens do rio é possível encontrar os mais variados objectos. Desde restos de antigos veículos…
A Garça-boieira (Bubulcus ibis) é uma das espécies existentes nas margens do rio
Continuando a descer o rio pela margem direita, chega-se a Santa Margarida do Sado. À entrada da Aldeia existem algumas Sobreiras centenárias.
Aqui a agricultura continua a ser ainda o principal meio de subsistência.
O rio marca a fronteira do Distrito. Por se encontrar na margem direita, Santa Margarida do Sado pertence ao Distrito de Beja. Mas, basta atravessar a ponte para a margem esquerda e já estamos no Distrito de Setúbal.
É então pela margem esquerda que vamos em busca da povoação fantasma de São Mamede do Sadão. Logo depois da primeira curva da estrada surge …
Não é fácil encontrar gente por aqui. Entre areeiros…
e madeireiros, podemos facilmente andar dez ou doze quilómetros sem encontrar viva alma.
A paisagem é composta da mistura de pinheiros, azinheiras e sobreiras que por vezes se estendem até ás margens do rio. Mais uma curva na estrada e eis que surge…
Noutros tempos foi sede de Freguesia. Hoje não passa de um lugar em ruínas. Na sequência de uma reorganização administrativa do território, em 1855, a freguesia de São Mamede de Sádão (criada no século XVI e que pertencia a Alcácer do Sal) foi agregada à de Azinheira dos Barros. Existia por aqui comércio, igreja, cemitério e escola.
E a igreja, também ela em ruínas.
Famosa muitas léguas em redor, era a água da fonte de São Mamede
Indiferente a todos os dramas que por aqui possam ter acontecido, o rio continua a sua lenta marcha.
Aldeia de Vale de Guizo concelho de Alcácer do Sal, localizada junto ao rio Sado que terá estado na sua origem. Terá sido aqui que nasceu em 1502 Pedro Nunes, um dos grandes matemáticos Portugueses.

É um dos locais existentes ao longo dos médio e baixo Sado onde, pela existência de um porto natural, era feito o interface terra – rio, através do qual as mercadorias e pessoas se deslocavam para pontos mais a montante ou mais a jusante do rio Sado, fazendo a ligação, nomeadamente a Alcácer do Sal e a Setúbal.
Em Vale de Guizo esconde-se um dos tesouros do concelho de Alcácer: a Igreja de Nossa Senhora do Monte. Majestosa, impõe-se na paisagem, isolada, no cimo de um monte (daí o nome), aos pés do qual a aldeia se ergue. A igreja foi mandada construir pelo rei D. José em 1724 e concluída em 1751. No entanto, já no século XVI há registos de que existia uma ermida no mesmo lugar.
Não obstante ter sido um ponto de passagem no tráfego fluvial no rio Sado entre Porto Rei e Setúbal, hoje em dia Vale de Guizo constitui o limite de navegabilidade do rio, o local para além do qual não é possível navegar.